A carteira de investimentos ideal

"Know what you own, and know why you own it." Lynch, P.
Carteira de investimentos ideal

Uma estratégia de investimento para alcançar a independência financeira é necessariamente uma estratégia de longo prazo. Assim, para pôr o plano do Rentista em prática, a carteira de investimentos ideal deve ser composta por ativos de longo prazo.

Os principais ativos de longo prazo, por nível de risco, são:

  1. Ações;
  2. Fundos Imobiliários (FIIs);
  3. Imóveis;
  4. Títulos pré-fixados com longo prazo de vencimento;
  5. Títulos indexados à inflação com longo prazo de vencimento.

Ativos com maior risco têm retorno esperado maior. Logo, quanto maior o prazo para sua independência financeira, maior poderá ser o percentual da sua carteira investido em ativos mais voláteis.

Mas se o retorno esperado é maior, por que não alocar 100% do capital em ações?

Porque é impossível prever qual tipo de investimento irá ter um rendimento melhor nos próximos 15 a 20 anos. No Brasil por exemplo, o CDI superou o Ibovespa nos últimos 20 anos, mesmo tendo um retorno esperado maior quando o prazo é superior a 20 anos.

Por isso, a composição inicial da carteira de investimentos ideal será:

Composição geral da carteira de investimentos ideal
Composição geral da carteira de investimentos ideal

A maior parte da carteira será composta por ativos de renda variável. Incluindo os FIIs, a alocação em renda variável corresponde a 82,5%.

A carteira de ações é ainda dividida entre ações de empresas brasileiras e estrangeiras:

Composição ideal da carteira de ações
Composição ideal da carteira de ações

O percentual maior em ações brasileiras é explicado por dois fatores:

  1. Tenho mais informações sobre o mercado brasileiro;
  2. O retorno esperado de um mercado emergente como o Brasil tende a ser maior.

É claro que conforme mais informação for adquirida sobre outros mercados estes percentuais podem mudar.

Como é definida a alocação da carteira?

Os percentuais da carteira de investimentos ideal nos gráficos acima podem sofrer alterações de acordo com o nível de preço do mercado acionário.

Porém essas mudanças virão apenas através da decisão na alocação de novos aportes, pois pretende-se reduzir ao máximo as vendas e operações que aumentam os custos de transação.

A alocação entre Ações e Renda Fixa/FIIs poderá ser alterada de acordo com os múltiplos do mercado acionário (Preço/Lucro, Preço/Ebit, EV/Ebit e Preço/VP), mas sempre dentro do intervalo de 50/50 até 75/25.

Assim como a alocação entre ações do Brasil e outros países, que pode ficar entre 50/50 a 80/20.

Já a alocação entre títulos de renda fixa e FIIs ficará sempre em cerca de 50/50.

A tabela abaixo mostra a alocação mínima e máxima permitida para cada tipo de ativo em relação ao total da carteira, incluindo a alocação ideal exposta nos gráficos acima:

AtivoAlocação
Mínima
Alocação
Máxima
Alocação
Ideal
Ações50%75%65%
Renda Fixa/FIIs25%50%35%
Renda Fixa12,5%25%17,5%
FIIs12,5%25%17,5%
Ações Brasileiras25%60%48,75%
Ações Estrangeiras10%37,5%16,25%

Para conhecer a alocação inicial da carteira de investimentos visite o primeiro post do Blog.

Operações especulativas

Também será destinado um pequeno percentual inicial de 5% para operações de curto prazo (day-trade, swing trade, mercados derivativos) que envolvem estratégias que explorem algum tipo de ineficiência de mercado.

Porém, não serão feitos novos aportes para este tipo de investimento, embora o dinheiro ganho poderá ser reutilizado nessas operações especulativas.

Assim, o percentual de alocação nessas operações em relação à carteira pode aumentar ou diminuir de acordo com o sucesso das estratégias. Por isso deixei estas operações de fora do cômputo da composição da carteira.

A ideia por trás dessas operações é verificar se uma gestão mais ativa do capital pode ser lucrativa.

Várias estratégias serão testadas, mas com foco em operações alavancadas.

Carteira ideal de ações

Os ativos que irão compor a carteira de ações serão selecionados com base nos fundamentos das empresas. Não há um número máximo ou mínimo de ativos para compor a carteira.

Inicialmente será construída uma lista de empresas potenciais consideradas sólidas e com bons fundamentos.

Essas empresas devem respeitar os seguintes critérios:

  1. Bons fundamentos contábeis;
  2. Nível de governança adequado;
  3. Perenidade da atividade principal;
  4. Boa marca e qualidade dos produtos;
  5. Bom potencial de crescimento de receita;
  6. Margens bruta e líquida de no mínimo dois dígitos;
  7. Bom histórico de pagamento de dividendos.

Um bom site para fazer um filtro das empresas com base nas características contábeis é o Fundamentus. Outros sites com dados relevantes podem ser encontrados aqui.

Uma vez selecionadas as empresas potenciais, os novos aportes serão sempre decididos com base no preço vigente da ação e em múltiplos como Preço/Lucro, Preço/Ebit, EV/Ebit e Preço/VP.

Além disso, na decisão dos novos aportes também será considerada a diversificação adequada da carteira em diferentes setores de atividade. Alguns setores poderão ficar de fora da carteira por não terem empresas que cumpram os requisitos (ex: margens muito baixas ou resultados muito cíclicos).

Por fim, vendas ocorrerão apenas se a empresa perder algum dos fundamentos listados acima.

Carteira ideal de FIIs

A carteira de fundos imobiliários será composta por todos os FIIs que respeitarem os seguintes critérios:

  1. Ser fundo de tijolo;
  2. Não ser fundo de agências bancárias;
  3. Possuir no mínimo 5 imóveis;
  4. Possuir mais de um inquilino;
  5. Ter um histórico de pagamento médio de no mínimo 0,45% ao mês;
  6. Apresentar pouca variabilidade nos pagamentos históricos;
  7. Ter boa gestão;
  8. Não ser um fundo muito novo.

Uma vez selecionados os FIIs, a alocação será feita de maneira a obter uma carteira igualmente ponderada.

Assim, não serão considerados múltiplos como P/VP para a alocação do capital nos FIIs, uma vez que a volatilidade e ineficiência no preço dos mesmos tende a ser menor.

Logo, os novos aportes sempre serão naqueles fundos que estiverem mais para trás (que tiveram rentabilidade mais baixa), desde que os critérios continuem a ser observados.

Variações no percentual de alocação entre os FIIs podem advir de valorizações/desvalorizações excessivas de alguns fundos ou oportunidades de subscrição.

Títulos de renda fixa e reserva de emergência

A reserva de emergência será composta por títulos pós-fixados com liquidez diária e não ultrapassará o valor de 60-100 mil reais.

Uma vez alcançado este valor, o resto da carteira de renda fixa será composto por títulos públicos e privados pré-fixados ou indexados à inflação com longo prazo de vencimento.

A escolha dos títulos de renda fixa será feita com base nas taxas aplicadas e na qualidade do emissor.

Uma observação final. Imóveis, automóveis e outros bens que não foram adquiridos com o objetivo de investir estarão fora do cômputo da carteira de investimento, embora estejam presentes no cálculo do patrimônio total (net worth).

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