A carteira de investimentos inicial

"Rentistas do mundo, uni-vos, vós não tendes nada a perder a não ser vossas economias." O Rentista

Então você quer saber como tudo começou, certo?

Bom, aqui está o estado inicial da minha carteira de investimentos.

Os dados são do último dia do mês de julho de 2019. Essa carteira foi construída ao longo dos últimos 10 meses com base em aportes médios de R$ 5.000,00. Antes disso, o Rentista era um típico assalariado coberto de dívidas e com uma poupança de 0%.

Valor total inicial da carteira: R$ 64.670,27

Net worth (patrimônio total menos dívidas): R$ 399.397,80.

O net worth inclui imóveis, automóveis e outros bens que não serão considerados como investimento.

Neste post vamos olhar com detalhe para a alocação inicial da carteira de investimentos do Rentista. Mas antes, consulte o Plano para entender a lógica por trás destes percentuais.

ALOCAÇÃO POR TIPO DE INVESTIMENTO

Carteira por tipo de investimento
Alocação bem próxima da meta de 65-35 (Ações/RF e FIIs) do plano

Cerca de 66% está alocado em ações e investimentos especulativos (detalhes abaixo) e 34% está alocado em renda fixa e fundos de investimento imobiliário (FIIs).

Certo, mas quais são os ativos de cada um dos 3 grupos?

Eu vou detalhar todos os ativos de cada grupo para você. Mas antes lembre que a minha carteira não é uma recomendação de investimento e se você quiser seguir os passos do Rentista, deve ajustar a liquidez do seu portfólio de acordo com a sua idade e tolerância ao risco.

O primeiro grupo é composto pela carteira de ações, que representa 62% do portfólio.

1. CARTEIRA DE AÇÕES

AtivosQtdeValor (R$)Percentual
IVVB11708.477,7021,35%
ITUB32005.980,0015,06%
EGIE31004.851,0012,22%
VIVT31004.580,0011,54%
B3SA31004.230,0010,65%
LEVE31002.463,006,20%
SCLE32003.600,009,07%
SAPR42003.184,008,02%
FLRY31002.339,005,89%
TOTAL117039.704,70100,00%

21,35% está alocado em IVVB11, uma ETF que replica o S&P500, e os 78,65% restantes estão alocados em ações brasileiras.

Este percentual está bem próximo da meta de 75-25 (Brasil/EUA) estipulado no Plano. A alocação em ETF ainda não é a ideal, pois representa uma diversificação excessiva que pode diminuir o retorno esperado no longo prazo, e também incorre em uma taxa de administração de 0,24% ao ano e imposto de renda de 15% no resgate.

Quando o montante aplicado em IVVB11 chegar perto dos 50 mil abrirei uma conta em uma corretora no exterior e lentamente migrarei os recursos para ações individuais americanas ou de outros países. Quando chegar a hora vou relatar este processo aqui no blog.

A carteira de ações brasileiras é composta por apenas 8 ativos.

Embora seja uma carteira com poucos ativos, ela é bem diversificada. Contém empresas do setor financeiro, elétrico, telecomunicações, saneamento, saúde, agrário e material de transporte. Todas essas empresas têm bom histórico de geração de lucro e pagamento de dividendos.

Carteira de ações por setor
A exposição ao setor financeiro será diminuída nos próximos aportes

Os ativos foram escolhidos com base em critérios que levam em consideração alguns pontos gerais:

  • Bons fundamentos contábeis;
  • Nível de governança adequado;
  • Perenidade da atividade principal;
  • Boa marca e qualidade dos produtos;
  • Bom potencial de crescimento de receita;
  • Margens bruta e líquida de no mínimo dois dígitos;
  • Bom histórico de pagamento de dividendos.

Os aportes nessas empresas são decididos com base nos preços vigentes, na diversificação da carteira e em múltiplos como Preço/Lucro, Preço/Ebit, EV/Ebit e Preço/VP.

Por isso os percentuais de alocação em cada ativo podem variar sem nenhuma explicação muito evidente. Há uma lista de pelo menos outros 5 ativos que posso vir a fazer aportes dependendo destas condições.

O segundo grupo é composto pelos ativos de renda fixa e FIIs, e representa 33% do portfólio.

2. CARTEIRA DE RENDA FIXA e FIIs

AtivosQtdeValor (R$)Percentual
CDB Pré88.463,1039,21%
Reserva1.655,857,67%
GGRC11142.028,609,40%
HGBS1171.756,308,14%
HGLG11121.918,208,89%
HGRE11111.822,708,44%
KNRI11121.841,888,53%
VISC11171.911,148,85%
XPML111107,500,50%
Caixa79,580,37%
TOTAL8221.584,85100,00%

46,88% está alocado em ativos de renda fixa e 53,12% em FIIs, percentuais bem próximos da meta de 50-50 (RF/FIIs).

Entre os ativos de renda fixa estão um CDB Pré-fixado a taxa de 10,66% ao ano com resgate para 2023, e a reserva de emergência composta por títulos pós-fixados do Tesouro Direto, que são automaticamente comprados através da NuConta.

A reserva de emergência com liquidez diária está bem abaixo do necessário (cerca de 60-100 mil), por isso a estratégia por enquanto será alocar todo o capital destinado à renda fixa para a reserva de emergência. Assim que a meta seja alcançada, o restante do capital destinado à renda fixa será alocado em títulos públicos e privados pré-fixados e indexados ao IPCA, com foco no longo prazo.

A carteira dos FIIs é composta por 7 fundos de tijolo multi-imóveis e multi-inquilinos.

Esses fundos foram selecionados com base em critérios que levam em consideração alguns pontos gerais:

  • Ser fundo de tijolo;
  • Não ser fundo de agências bancárias;
  • Possuir no mínimo 5 imóveis;
  • Possuir mais de um inquilino;
  • Ter um histórico de pagamento médio de no mínimo 0,45% ao mês;
  • Apresentar pouca variabilidade nos pagamentos históricos;
  • Ter boa gestão;
  • Não ser um fundo muito novo.

Os aportes nestes 7 FIIs são decididos de modo a manter uma carteira igualmente ponderada.

Uma exceção é o XPML11, pois este FII foi incluído na carteira neste mês, de modo que ainda não foram feitos aportes suficientes para alcançar o mesmo percentual dos outros fundos.

Mas por que aportar de maneira uniforme nos FIIs e considerar múltiplos como o Preço/Lucro para definir os aportes nas ações?

A decisão de sempre ponderar a carteira dos FIIs igualmente se deve ao fato de que a precificação é menos relevante para os FIIs. Este fundos tendem a ser negociados próximo de seu valor patrimonial e a volatilidade do preço também é consideravelmente menor do que no caso das ações.

Variações no percentual de alocação entre os FIIs podem advir de valorizações excessivas de alguns fundos ou oportunidades de subscrição. Atualmente existem outros dois fundos que podem vir a ser adicionados na carteira.

O terceiro grupo é destinado a alguns investimentos especulativos que envolvem operações alavancadas em derivativos, mercados futuros e outros, representando 5% do portfólio.

3. INVESTIMENTOS ESPECULATIVOS

Qual estratégia é mais rentável no longo prazo: gestão passiva ou gestão ativa de sua carteira?

Até aqui temos uma carteira em que selecionamos ativos para fazer aportes consistentes para o longo prazo, ou seja, uma gestão passiva do nosso patrimônio.

Os investimentos especulativos podem incluir operações de swing trade ou day trade em diversos mercados, representando uma parcela da carteira alocada para estratégias que envolvem gestão ativa do patrimônio. Várias estratégias serão testadas, mas com foco em operações alavancadas.

O capital inicial alocado para estas operações foi de R$ 3.380,52. Não serão feitos novos aportes para este grupo, mas o dinheiro ganho poderá ser reutilizado nessas operações especulativas, de modo que o percentual de alocação em relação à carteira pode aumentar ou diminuir de acordo com o sucesso das estratégias.

COMPOSIÇÃO TOTAL

Eis o retrato completo da carteira no último dia do mês de julho.

Percentual de alocação de todos os ativos em relação ao valor total da carteira
Percentual de alocação de todos os ativos em relação ao valor total da carteira

Uma última nota. Imóveis que são utilizados como residência e automóveis não serão caracterizados como investimento, ficando fora do cômputo da carteira. Eventuais compras de novos imóveis com o objetivo de alugar ou revender passarão a ser contabilizadas.

Esta é a carteira inicial do Rentista. Todo final do mês o status da carteira será atualizado com os aportes feitos durante o mês e a rentabilidade em relação aos meses passados.

Saudações rentistas!!! Comente abaixo sobre o que você achou da alocação inicial da carteira.

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